Você não podia fazer isso comigo. Você não. Por mais ingênua que eu sei que sou, cresci ouvindo isso. “Você confia demais nas pessoas e não vê maldade em nada!”. Por mais que a gente aprenda a cada dia que decepções são mais freqüentes do que pensamos ou desejamos. Por mais que soe aos meus ouvidos que nada é por acaso, tudo tem um porquê e, no final, tudo isso tenha uma explicação. Mas é que você eu guardava numa bolha, intacto, no meu altar florido e sagrado. Você sempre foi o perfeito, o acima de todas as suspeitas, o homem completo.
A gente tinha um pacto, um combinado pra vida. E eu podia dormir e acordar, todos os dias, tranqüila, segura. Eu precisava e você estava ali, sempre, acalmando a minha pressa e me mostrando que tudo tinha solução. Você estava em todo lugar. Você passou a ocupar os espaços sem que eu percebesse qualquer movimentação, e quando me dei conta, você habitava os sonhos, os porta-retratos, os planos, as confissões, as fantasias, os medos, as alegrias e passou a tomar conta de mim, no sentido de proteger mesmo. E eu passei a te carregar como amuleto, e isso era lindo. De longe, pelo menos, era lindo.
E de repente, agora perto, você não está mais. Insisto em procurar em todo canto, mas nada encontro. Você não está mais no meu quarto novo, no meu dia a dia, no sofá, no meu retorno. Você está apenas na minha saudade. Já procurei nas caixas da mudança, nos meus fins de semana vazios, na minha angústia, na minha busca.
A dor que a sua falta me faz é física. Aperta-me os pulmões e me sufoca. Falta o ar e falta você. Você perto de mim. E a saudade que eu sinto agora é maior do que a saudade da distância e do tempo. É a saudade da ausência.
E junto da dor de saudade tem a dor da decepção. Pensar em você fora do altar que eu construí, do seu trono, do seu espaço intocável, isso dói... Dói porque eu não quero nem admito outro em seu lugar. Você construiu isso comigo, você me mostrou a paz e a serenidade que eu tanto preciso. E agora não é justo simplesmente sumir. Sem nenhuma razão ou explicação.
Saudade de você, do seu abraço, da sua calma, e mais saudade ainda de quem eu sou quando estou com você.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
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