quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ladainha

Sabe aquela balela de lei da atração?!
Aquele papo furado de atitude e pensamento positivos?!
O velho blábláblá de "fazer o bem sem olhar a quem"?!
Aquela pieguice de "olhar tudo pelo lado bom"?!

Então.

Tudo verdade.

O velho e bom Quintana sabia de tudo quando disse: "O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você".

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Daqui pra frente vai ser assim.

Ninguém .:.por Tati Bernardi

Sapato baixo, calça larga e cabelo preso. Esquentou e seus ombros tensos agradecem. Que cara bonita é essa? Já logo no elevador. Ah, devo ter dormido bem. Bom dia, bom dia. Olha, você está muito bonita hoje. Um fala, outro concorda. E pelos corredores, sorrisos dão continuidade aos elogios. O que é? Que segredo ela guarda? Que novidade é essa? Na cozinha perguntam: novo amor? No estacionamento perguntam: voltou com alguém? No restaurante, na hora do almoço: é alguém novo? Cruza com um namorado antigo “nossa, você tá muito... é o quê? Sexo? A noite toda? Conta, vai, eu agüento ouvir”. Contar o quê? No espelho, enquanto escova os dentes, fecha os olhos e sabe pra si o segredo: ninguém. Não gostar de ninguém. Nada. Nem um restinho de nada. Nem de tudo que acabou e nem de nada que possa começar. Nada. Pouco importa qualquer outra vida do mundo. Não é nem pouco, é nada mesmo. Um dia inteiro para achar gostosas coisas bobas como um pacote de pipoca doce, um tênis pink ou a hora do banho quente com músicas recém baixadas e o tapetinho vermelho. Um dia inteiro sem escravidão. O celular, o e-mail, o telefone de casa, o ar, o interfone, a rua. São o que são e não carrascos que nada dizem e nada trazem. Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, yoga, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos . É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue. Linda e feliz como nunca. O segredo do espelho, escovando os dentes, sozinha, aperta os olhos, segura a alma um pouco sem respirar. Segura a pasta pensando que é um pouco de alma consistente na boca. Não cospe, suporte. Ela pode finalmente suportar seu peso e não dividir isso nem com o ventinho que entra pela janela. Nem com o ralo que a espera boquiaberto. A sensação é a da manhã seguinte que o papai Noel deixava os presentes: não é mentira, é só um jeito de contar a verdade com algum encantamento.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Conclusões de uma madrugada qualquer...

E a frase veio na madrugada de sábado. Cansada demais pra sair, sóbria demais pra dormir.
House me disse: "Decepção é a raiva dos fracos. Você pode sentir raiva, sim."

***

Nessas horas é que eu tenho ainda mais saudade de tudo que não vivi. Ainda.

***

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

pensamento do dia.

but if you never try, you'll never know.

terça-feira, 28 de julho de 2009

todo dia.

Eu continuo com dificuldades pra dormir.
Continuo com aquele problema de short memory lost.
Continuo sem conseguir acordar às 6h pra correr.
Continuo bagunçando meu quarto.
Continuo sem ir à praia.
Continuo falando mais do que devia.
Continuo lendo menos do que queria.
Continuo com aquele tique nervoso.
Continuo esquecendo de tudo.
Continuo lendo meu horóscopo pela manhã.
Continuo querendo aprender a tocar violão.
Continuo me enganando com as pessoas.
Continuo esperando.


E continuo sentindo muita saudade do que não vivi.

domingo, 7 de junho de 2009

era uma vez...

Ela não quer mais cena de filme. Cansou dos diálogos incríveis que parecem ter saído do roteiro mais incrível. Cansou dos olhares que parecem ter sido ensaiados pelo diretor espanhol. A expressão no rosto dele, o jeito como ela arruma seu cabelo tentando se esconder daquelas palavras pontiagudas, tudo compondo a mais bela fotografia.
Ela não quer mais o drama mexicano, a emoção que navalha o estômago, o ar que falta aos pulmões. Cansou das declarações-bomba, das confissões de anos acumulados, das promessas de um futuro bonito e distante, dos elogios extremos.
Cansou de ser a atração no jantar com as amigas, a que sempre tem um episódio emocionante pra contar. Cansou dos olhares arregalados e rostos boquiabertos.

Ela que passou a vida sonhando com o bom e velho príncipe encantado, montado em seu esplendoroso cavalo branco, sonhando com um amor igualzinho ao da mocinha e do mocinho da novela das oito, se esqueceu de lembrar que aquilo era faz-de-conta. E agora descobre que as histórias mirabolantes as quais protagoniza hoje, essas sim, são episódios, capítulos, como os de novela. Intensos e curtos, com tempo certo para acabar.

Não. Príncipes encantados não existem. O Marrocos e a Índia não ficam aqui do lado. O mocinho que cortou os dois braços pelo amor da mocinha não existe aqui do lado de fora, no “mundo dos mortais”. Ele não vai romper com a família nem abrir mão da fortuna do pai por sua causa.

Ela, agora, só busca o trivial, nenhum amor intergaláctico. O feijão-com-arroz tem e sempre terá seu valor. Ela só quer o abraço reconfortante no fim do dia, uma boa companhia para seu cinema semanal e solitário, o beijo com gosto de sorvete no domingo à tarde, alguém com quem dividir suas idéias e pensamentos, dos mais corriqueiros aos mais absurdos, alguém para compartilhar suas mais recentes descobertas musicais e sua paixão avassaladora pelo músico de olhos azuis.

Ela quer a paz, em forma de pele e osso. E, se não for pedir muito, que venha acompanhada de um sorriso largo, um olhar sincero e do abraço mais apertado.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

vazio.

Você não podia fazer isso comigo. Você não. Por mais ingênua que eu sei que sou, cresci ouvindo isso. “Você confia demais nas pessoas e não vê maldade em nada!”. Por mais que a gente aprenda a cada dia que decepções são mais freqüentes do que pensamos ou desejamos. Por mais que soe aos meus ouvidos que nada é por acaso, tudo tem um porquê e, no final, tudo isso tenha uma explicação. Mas é que você eu guardava numa bolha, intacto, no meu altar florido e sagrado. Você sempre foi o perfeito, o acima de todas as suspeitas, o homem completo.
A gente tinha um pacto, um combinado pra vida. E eu podia dormir e acordar, todos os dias, tranqüila, segura. Eu precisava e você estava ali, sempre, acalmando a minha pressa e me mostrando que tudo tinha solução. Você estava em todo lugar. Você passou a ocupar os espaços sem que eu percebesse qualquer movimentação, e quando me dei conta, você habitava os sonhos, os porta-retratos, os planos, as confissões, as fantasias, os medos, as alegrias e passou a tomar conta de mim, no sentido de proteger mesmo. E eu passei a te carregar como amuleto, e isso era lindo. De longe, pelo menos, era lindo.
E de repente, agora perto, você não está mais. Insisto em procurar em todo canto, mas nada encontro. Você não está mais no meu quarto novo, no meu dia a dia, no sofá, no meu retorno. Você está apenas na minha saudade. Já procurei nas caixas da mudança, nos meus fins de semana vazios, na minha angústia, na minha busca.
A dor que a sua falta me faz é física. Aperta-me os pulmões e me sufoca. Falta o ar e falta você. Você perto de mim. E a saudade que eu sinto agora é maior do que a saudade da distância e do tempo. É a saudade da ausência.
E junto da dor de saudade tem a dor da decepção. Pensar em você fora do altar que eu construí, do seu trono, do seu espaço intocável, isso dói... Dói porque eu não quero nem admito outro em seu lugar. Você construiu isso comigo, você me mostrou a paz e a serenidade que eu tanto preciso. E agora não é justo simplesmente sumir. Sem nenhuma razão ou explicação.

Saudade de você, do seu abraço, da sua calma, e mais saudade ainda de quem eu sou quando estou com você.