quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sras. e Srs., apertem os cintos!








Era disso que eu tava falando.
Bem isso.
É assim que eu preciso começar o ano!
Hum... Acho que não tem muito o que falar não.
Viajem vocês também!
E em caso de despressurização da caixola, côcos cairão automaticamente.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

New Soul

O ano tá bom de acabar já né?!
Já deu, gentche! Já deu...

Eu quero castanhas portuguesas, o pastelão de galinha de tia betty, quero peru de natal (bem enfeitado com muitos fios de ovos, apesar de não me apetecer nenhum pouco...), quero cerejas e champagne, quero primos, tias, tio, vô e vó, quero crianças (bebês, na verdade), quero irmãos, pai e mãe, quero cumpadres, quero agregados, todos juntos, falando ao mesmo tempo enquanto fazemos o "amigo que de secreto não tem nada".

Quero mais ainda areia fofa da praia, sol forte que arde e tira o mofo, quero mar, quero maria farinha e tatuí, quero vara de pescar na pedra da viúva, quero carneiros, quero o fim de tarde de tamandaré, quero sentir o vento e a maresia na rede, quero banho de chuveirão. Quero vestir branco, quero contagem regressiva, quero aquele choro que sai do dedo mindinho do pé e lava a alma e o coração, quero ciranda em família, quero uma mesa cheia de frutas. Quero pular as 7 ondas, quero afogar todos os meus monstros e fantasmas, quero abraço apertado, quero dançar até amanhecer... E "quando eu olhar pro lado, eu quero estar cercado só de quem me interessa".

E quando o sol começar a raiar, quero fechar os olhos e ouvir BEM alto:

http://br.youtube.com/watch?v=-YUxbDEPFiM

Aí sim... 2009 vai começar lindo.

domingo, 23 de novembro de 2008

João

Eu sempre achei bonito essa coisa de padrinho e madrinha. Os seus pais escolhem "pais reservas", "pais suplentes" para você. Claro que isso respeita uma certa "hierarquia", não podemos esquecer os avós, tios e tias de sangue, mas enfim... Foi essa a definição que aprendi com os meus pais, eles sempre fizeram questão de frisar o quão importante eram aquelas duas figuras. Lembro sempre do meu pai dizendo: "Peça a benção à seus padrinhos!" Confesso que outrora isso me irritava um pouco e eu achava tudo aquilo uma grande bobagem.
Mas o fato é que seus padrinhos, de alguma forma, estiveram ali, do lado dos seus pais num momento lindo e mágico, que foi a sua chegada. Eles ajudam a contar a sua história, por isso são mais do que especiais. Digo isso por mim, pois sei da força do vínculo que os meus padrinhos têm na vida dos meus pais e, consequentemente, na minha.

E não importa se você não vê seus padrinhos há 5 anos, se só fala com eles uma, no máximo duas vezes por ano (aniversários), se os vê todo domingo ou se nem lembra da última visita, se ganha aquele presente extra de natal todo fim de ano ou se não tem a mais vaga lembrança do último mimo... São seus padrinhos, são conforto. E eu não falo, aqui, apenas do padrinho ou madrinha que derrama água benta na sua cabecinha dentro da igreja. Esse laço vai além, bem além. É pra vida inteira.

Aos 25 anos, eu ganhei um afilhado. O nome dele é João. Histórias com os pais dele?! Sim, tenho muitas... Se eu contar, você não acredita. Dava um livro.
E foi aos 25 anos que eu descobri, de verdade, o significado e a beleza do "amadrinhar, apadrinhar". Meus pais (como quase sempre) tinham razão. Quando Lua soube que estava grávida, me senti um pouquinho grávida também, vivi cada mês da gestação com ela, as mudanças, o medo, a beleza, a expectativa. Senti até os chutes e acrobacias de João na minha barriga. Na maternidade, dividi com Pedrinho o papel de pai... Lembro, como se fosse hoje, do nervoso e da cerveja necessária do outro lado da rua para relaxar daquela carga de adrenalina.

João, hoje, tem pouco mais de 3 meses. Tão pequeno e dono de um amor tão grande. Já é minha família. Meu afilhado. E eu encho a boca com gosto pra falar: meu afilhado!
João chegou e já me ensinou a ser essa espécie de "mãe suplente", quero estar sempre por perto e continuar aprendendo muito com ele, quero acompanhar e fazer parte de sua vida, de suas descobertas. Também quero ensinar o pouco que sei e mostrar pra ele as coisas lindas da vida... (*escolhi começar pelo vinho. vide foto em anexo.)


Japorongo, tua dinda te ama muito. E não, não precisa pedir a benção sempre... só de vez em quando.





























sexta-feira, 21 de novembro de 2008

no mangue.

Muito do que eu faço
Não penso, me lanço sem compromisso.
Vou no meu compasso
Danço, não canso a ninguém cobiço.
Tudo o que eu te peço
É por tudo que fiz e sei que mereço
Posso, e te confesso.
Você não sabe da missa um terço

Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo

Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna

Vou certo
De estar no caminho
Desperto.

MARTELO BIGORNA - LENINE



*eu posso ouvir lenine na ferreira lopes, em sp, dentro de um motohome do outro lado do mundo, na lua, em vladvostok, na casa do chapéu, em higienópolis, embaixo do chuveiro, no acre, no meio das nuvens, onde judas perdeu as botas, do outro lado do arco- íris, na conchichina, no meu esconderijo secreto, em alto mar, no capão redondo, onde o vento faz a curva, no começo ou no fim do mundo... ele sempre vai me levar para a minha cidade, menina dos olhos do mar, casa forte, recife, pernambuco. porque quando ele canta eu sinto o cheiro do capibaribe, o calor escaldante, a vista do alto do sé, o gosto da tapioca, o som das ondas...

O galego canta. E depois de 2 garrafas de vinho, meu velho, eu tô em casa.

.:.pernambuco falando para o mundo.:.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

bulas, não vide.

Godofredo says: (7:03:09 AM)
sempre que vc fala dele, vejo seus olhos.
Godofredo says: (7:03:25 AM)
se a gente falasse com a boca, seria mais fácil.
Amelina.:. says: (7:12:08 AM)
é que as vezes a gente engole à pulso (à pulso é mto bom!) o que a galera enfia goela abaixo...

...

Amelina.:. says: (7:14:29 AM)
às vezes eu acho que a culpa é minha…
Amelina.:. says: (7:14:40 AM)
que sou eu que acabo "cultivando" isso
Godofredo says: (7:15:12 AM)
sempre achamos.
Godofredo says: (7:15:23 AM)
a gente sempre tenta se punir das coisas mais certas que faz, já notou?

...

Godofredo says: (7:31:05 AM)
"meio impossível" é a tal fuga, a tal desculpa para a gente não ir atrás das melhores coisas da nossa vida.
Godofredo says: (7:31:10 AM)
"não sei" é a segunda fuga.
Amelina.:. says: (7:31:24 AM)
é sério, porra!
Godofredo says: (7:31:40 AM)
a terceira é "eu fico pensando em todas as circunstâncias, em tudo que envolve".

...

Amelina.:. says: (7:35:19 AM)
Ele é meio incógnita pra mim
Godofredo says: (7:35:23 AM)
claro que é!
Godofredo says: (7:35:32 AM)
vcs se transformaram nisso, um para o outro.
Godofredo says: (7:36:01 AM)
e um dia vão se esbarrar num supermercado e se perguntar "como teria sido"... E sabe qual vai ser a resposta? "a gente deveria ter vivido".

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Música. Para os ouvidos e para o coração.

Música boa pra mim é hipnose. É o mais violento dos alucinógenos. Eu sinto. Entra direto na veia, e vai se espalhando, toma conta do meu corpo inteiro. Os pés ficam dormentes, depois aquela dormência vai tomando conta da alma. E é aí que a viagem começa.
A música tem o poder de me fazer viajar. Para, absolutamente, qualquer lugar que eu queira. O meu exército azul conquista qualquer país do tabuleiro. Eu dou a volta ao mundo, sem sair da minha cama.
A música tem o poder de me fazer sentir. Sentir, sentir, sentir. O toque, a imagem, o cheiro, o gosto, o som. Tudo.
Posso sentir o gosto do strogonoff de Voinha e do sorvete de doce de leite preferido. Posso sentir o cheiro específico da casa de Garanhuns ou daquele perfume bom do primeiro namorado. Posso sentir a onda do mar de Tamandaré batendo na barriga enquanto caminho em direção ao barco de Voinho. Posso ouvir o barulho do toque pro recreio ou a voz de Bernardo, falando meu nome inteiro enquanto arrota (risos, muitos risos). Posso ver meus pais dançando e gargalhando na sala, depois de quatro garrafas de vinho e algumas declarações de amor (pra quem estiver por perto, num raio de 2m de distância). *Essa cena, particularmente, eu levo sempre no bolso, que é pra me fazer sorrir em caso de emergência.
Os primeiros acordes de “where the streets have no name” me fazem ter a mais absoluta certeza de que eu estou voando. Alto.
Yann Tiersen me teletransporta diretamente pro carrossel em frente ao Sacré-Coeur. E durante alguns minutos, eu sou Amélie.
Com o “Grande Encontro” eu sinto o cheiro de churrasco na varanda. Ouço as vozes dos meus padrinhos.
Quando eu escuto The Corrs, dou aquele abraço triplo em Bela e Pipo.
Viva la Vida” de Coldplay me faz acreditar que eu posso tudo, que o mundo inteiro cabe bem na palma da minha mão.
O bom e velho Sinatra me deixa elegante. Impecável, eu diria. Linda e phyna, num “valentino” deslumbrante, taça de veuve na mão.
Jack Johnson canta o cheiro do mar e, de repente, meus pés estão fincados na areia fofa.
Só de ouvir a voz do Cerati, Soda Stereo, volto para Bs. As. e tomo um mate com Gracielita.
Chico desafia a máxima “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço” e coloca a minha mãe e o meu pai, inteiros, bem dentro de mim.
Madredeus passeia comigo no “pumár dais laranjaeiras”, em Portugal. Mesmo sem eu nunca ter pisado nas terras de Cabral.
Enjoy the silence” me leva logo ali, aqui perto...
Ok, ok, essa conversa não tem fim.
Música é sonho.
A música tem o poder de me fazer respirar. Suspirar. Reviver. Viver. Mais leve e mais feliz. Sempre.

Mas hoje lembrei de uma, em especial. Uma música que me traz de volta a infância e tudo o que há de mais bonito. Ela sempre me faz viajar pra um lugar lindo. E eu não estou falando da Áustria. Essa música me põe no colo do meu pai.

http://br.youtube.com/watch?v=Ye7wGOUG8NE

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

É proibido? Mostrem-me as placas.

Fechei os olhos por dois goles. De água, que agora não posso beber.
Não por hora.
Senti-me numa cidade que nunca fui.
E parecia conhecê-la profundamente. Eu era um local. Nativo.
Reykjavík.
Um telão instalado em uma praça pouco iluminada. Poucos circulavam.
Estava frio. Árvores recém-desenhadas por um artista que entendia de outono, a tinta ainda fresca.
Ao fundo, a paisagem marrom da parte antiga, com seus prédios-caixa de janelas brancas, sempre limpas.
Tudo na penumbra natural da hora em que adormeci acordado. Era madrugada.
Dois goles.
Cá estou eu.
Cá? Por que logo aqui, ali, lá, tão distante?
No telão, um clipe musical. Flaming Lips, talvez. Não sei ao certo.
Do you realize? Isso estava reverberando na minha cabeça.
Procurava placas.
Placas proibitivas.
Eu queria o não.
Mas não.
Tudo que meus olhos viram, cerrados em dois goles intermináveis do licor inodoro, eram a representação do sim.
Corra.
Fuja.
Pise.
Faça.
Estacione.
Beba.
Mergulhe.
Ouça.
Atravesse.
Peça.
Pule.
Fale.
Pesque.
Ofereça.
Ultrapasse.
Toque.
Grite.
Buzine.
Temos.
Aperte.
Abrace.
Olhe.
Suba.
Segure.
Solte.
Alugamos.
Deixe.
Dê.
Beije.
Sim. Sim. Sim. Sim. Sim.
As luzes da praça acendendo, o clipe, os poucos reflexos de sorrisos no dia amanhecendo tardiamente.
Ela me parecia uma cidade íntima.
Era isso.
É isso.
Será isso.
Sempre o será.
Quando finalmente nos descobrimos, olhos cerrados por dois goles, em Reykjavík, não há outra resposta possível.
Senão o sim.

{Babita, essa conversa não tem fim.}

Por Pedro Fonseca.

Oprah de barba.

Tem dia que simplesmente não dá. Não rola. Sabe quando você lê uma página, lê duas, daí na página 17 você se pergunta: “sobre o que é isso mesmo?”
Hoje, Dona Concentração brincou de pique-esconde comigo. Ela corria e se escondia atrás do computador, embaixo da mesa, dentro do armário, por cima da persiana... Pular pra dentro do cabeção aqui que é bom, nada! A danada vinha, me fazia dois minutos de cócegas e fugia de novo.
Pois bem, depois de clicar 82 vezes no “enviar/receber”, lembrei que, para melhorar ainda mais a minha vida, a placa do meu carro termina em 1. Portanto, minhas amigas e meus amigos, segunda-feira é dia do meu rodízio. O que significa, minhas amigas e meus amigos, que até às 20h eu sou uma cidadã sem direito de ir e vir. Eu estou presa no escritório ou onde quer que for... É isso. Bem isso.
Mas tá tudo bem, afinal de contas o amor sempre vence no final, como bem diria uma prima.

Fone de ouvido. Live Forever, Oasis. Repeat (forever and ever).
18:36 - Peu entra no msn. 1h24 de msn therapy.
A partir daí sim, o dia começou (a render).

Resumo da oprah, digo, ópera?!?!
No póximo post.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

pratododia.

Hoje, logo que saí do estacionamento do empresarial, vi que a volta pra casa ia ser daquelas. São Paulo, num fim de sexta-feira chuvosa, é a visão do caos, meu amigo. O apocalipse na terra, acontecendo bem ali, na sua frente, do outro lado do pára-brisa. E depois de quase 3 anos, você acaba aprendendo que nem adianta ficar com raiva, soltando fogo pelas ventas. É a hora de dar aquela piscada de olhos bem devagar, inspirar, lentamente, todo o ar existente nos seus dois pulmões e introjetar o belo ensinamento da nossa ex-futura-prefeita (obrigada, Senhor!): “relaxa e goza, meu bem”.
Nessas horas, eu sempre repito baixinho, sussurrando pra mim mesma: ok, ok! Tá tudo bem. É como se você fosse logo ali, pra Porto de Galinhas, querida. Fica tranqüila. E num movimento quase que automático, busquei meu case na bagunça do carro e pensei em quem convidaria pra me fazer companhia naquela viagem. Mr. Sinatra? Não, querido! Definitivamente, a vida não está fácil pra você vir com esse seu charme, sussurrando no meu ouvido propostas quase indecentes. Michael Bublé? Idem! Além da raiva que tá dando de saber que eu não vou conseguir ir ao seu show, que não vai ser dessa vez que a gente vai se encontrar, casar e ter filhos. Coldplay? Hummm... Carro, trânsito, semáforos, não acho um cenário legal pra se cortar os pulsos. Hoje, não, Chris. Maná? Não. Não é um bom dia para a nostalgia. U2? Meninos, vocês são sempre bem-vindos. Mas, devido a alguns acontecimentos recentes, prefiro continuar dando um tempo na nossa relação. Amy? Querida, seu marido acabou de sair da prisão. Vá curtir ele, vá. Camelo? Já basta o monopólio que você anda praticando no meu ipod, não?! Me colocando pra dormir dia-sim, dia-não, numa briga acirrada com o Yann Tiersen. Marisa Monte? É isso. Marisa. Companhia doce, leve, feliz.
Ela começou a cantar pra mim, com sua voz linda. Eu comecei a cantar com ela, tentando e querendo ter aquela voz, na próxima encarnação. Aí eu segui cantando, cantando, viajando e cantando. E comecei a pensar em qual seria meu post de hoje, sobre o quê ou quem escreveria. Sim, porque me deu uma vontade enorme de chegar em casa e escrever. Escrever qualquer coisa. E também foi me dando uma alegria inocente, uma alegria infantil, sem motivo ou razão aparente. O mundo desabava logo ali, diante dos meus olhos, as buzinas, faróis vermelhos, o pingo grosso da chuva, o stress das pessoas, e eu sorrindo. Alegre, tola. O sorriso de quem acabou de ganhar a primeira boneca. Eu não lembro da minha primeira boneca. Quero dizer, aquela de plástico, que vem dentro de uma caixa de papelão. Mas, naquele exato momento de alegria boba, eu lembrei da minha primeira boneca de verdade, minha boneca, propriamente dita.
Eu tinha 6 anos quando ganhei a minha primeira bonequinha e ela saiu de dentro da barriga da minha própria mãe. Não é incrível isso?!

-Pausa. Momento de pegar o celular e ligar para a boneca, pra falar qualquer coisa... qualquer assunto não-urgente, só pra ouvir a voz dela. Provocar aquele riso gostoso que só de ouvir massageia meu coração. E eu lembro que a risada veio bem no cruzamento da Maria Antônia com a Consolação. Falamos-nos durante cinco minutos. Pronto. Foi o suficiente pra um abraço bem apertado.

Eu já tinha o meu Berninha, meu companheirinho de quarto. E agora esperava ansiosa, num misto de felicidade, expectativa, e aquela pitada de ciúme a chegada de mais um(a) irmãozinho(a). Não, meus pais não quiseram saber o sexo de nenhuma das 3 crias (!!!) “O melhor é a surpresa, o suspense é muito gostoso, filha!” (Eu, definitivamente, queria saber de quem eu herdei a curiosidade e a ansiedade grau 248,87).
Lembro do fatídico dia, família reunida na maternidade, todos felizes e contentes à espera do(a) mais novo(a) bebê da família. Eu não parava quieta, andava de um lado pro outro, me sentia “a” anfitriã querendo receber todo mundo, fazer sala, falava descontroladamente, pelos cotovelos, tamanha a ansiedade. Mas tudo aquilo parecia não ser suficiente para que eu descontasse meu nervosismo disfarçado de excitação. Então, logo arrumei outra válvula de escape para todo aquele turbilhão de emoções: comi absolutamente t-u-d-o que via pela frente (confesso que, de vez em quando, ainda uso tal técnica nos dias atuais), o que me causou sérios problemas gastrintestinais mais tarde, ao chegar na casa da “minha voinha” para dormir, passei a noite no banheiro.
Mas enfim, nasceu. Uma menina. A mais linda do berçário. Era a minha boneca. Agora eu tinha uma boneca de carne e osso (mais carne do que osso), de cabelos amarelos e bochechas grandes. Os olhos de gata, ou seriam de onça? Hoje, minha boneca cresceu. Brincamos muito e continuamos a brincar até hoje. Porque além de irmã e boneca, ela se tornou uma amiga, com todos os efeitos, vantagens, prós e contras que uma amiga de verdade traz. Companheiras, é isso que somos. Em alguns momentos, não sei se a diferença de seis anos é de mim pra ela, ou dela pra mim. De vez em quando, temos a mesma idade. Podemos ter 13 anos quando cantamos juntas, em voz alta e muita emoção, todos os sucessos de Sandy & Junior. Ou podemos ter nossos 32... Quando combinamos pra onde levaremos nossos filhos nas próximas férias.
Cuidei e cuido dela, ela já cuidou e cuida de mim, rimos, cantamos, choramos, dançamos, brigamos, pulamos, fizemos e fazemos – até hoje – tudo. Sempre juntas. Porque não há distância, qualquer que seja sua natureza, que nos separe ou afaste. Não importa se há pouco tempo atrás, essa distância acabava numa porta corrediça ou se existe uma distância de três mil quilômetros entre nós. O que importa mesmo é que a levo sempre comigo, tenho muito dela e sei que ela carrega parte de mim. Ela é, hoje, uma mulher. Mas passe o tempo que passar, ela será sempre a minha boneca.













quinta-feira, 6 de novembro de 2008

“Abre as cortinas pra mim que eu não me escondo de ninguém...”

Eu fiz um comentário baixinho, quase que só pra mim, da vontade de ter um blog. No mesmo dia, ganhei esse de presente. Fica bem difícil escrever o primeiro post depois desse prefácio. Bem difícil. Primeiro porque quem escreve é Pedrinho, Peu, Doda, meu cumpadje. E isso, por si só, já me engasga lindamente. Segundo porque ele, o escritor, é um dos redatores mais incríveis que eu conheço, é um criativo (é assim que vocês chamam nesse meio publicitário, né?!) sem igual, na verdade ele é uma agência inteira (tudo junto numa cabeça só), é um músico de mão cheia, um poeta de primeira, um amigo pra qualquer hora e circunstância.

(*nota: Eu ainda não consegui digerir esse prefácio, por isso ainda não consigo comentar sobre ele. Eu só sei que é confortante demais ter amigos assim, que colhem as flores mais bonitas do campo e nos acariciam, numa manhã ensolarada de quinta-feira, quando no nosso jardim, o colorido não se faz presente há algum tempo. Obrigada pelas palavras, Peu.)

Essa não tinha sido a primeira vez que me deu vontade de ter um blog. Ela já havia me rondado algumas vezes. Mas aí, durava um dia ou dois e logo depois passava. Dava preguiça, esquecia, faltava tempo, disposição.
Depois, quando a vontade aparecia de novo, eu me perguntava: blog para escrever o quê? Falar do quê? De mim? Dos outros? Contar histórias? Talvez aquelas que as pessoas dizem só acontecer comigo.
E esses dias, revendo uma entrevista do Jô com Lenine, lembrei de algo que esse conterrâneo falou e que ficou ecoando no meu ouvido por algum tempo. Em determinado momento, ele contou pro Jô que diante de uma situação que lhe impunha dúvida do fazer ou não, ele sempre se perguntava: “Por que não?!”
E é respondendo essa mesma pergunta que eu inauguro esse blog. Por que não?! A primeira coisa que me vem à cabeça é pensar: audácia pura a minha! Eu não sou escritora, redatora, poeta, nada disso. Não esperem ler, aqui, belos textos, construídos impecavelmente por uma alquimista das palavras. Essa arte eu deixo pra quem a faz de modo irretocável e perfeito, pessoas amigas que eu admiro e das quais sou leitora assídua (dessas pessoas vocês, eventualmente, “ouvirão” falar por aqui, pois são inspirações, e eu as contemplo, por horas, como quem contempla a Mona Lisa no Louvre, pela primeira vez).
Eu não sei quanto tempo de vida esse blog terá, nem a freqüência com que eu vou escrever, não sei se alguém vai perder tempo lendo e muito menos se vão gostar.
Eu também não sei sobre o que vou escrever, mas isso pouco importa. O espaço aqui vai servir de terapia, minhas sessões de terapia. Só que sem hora nem lugar marcado. Declarações, desabafos, minhas histórias, as histórias dos outros, registros sobre tudo o que me toca, registros sobre o que sou, de onde eu vim e pra onde eu vou, não sei. Vou abrir a pasta esquecida do meu computador, vou abrir minhas gavetas e resgatar alguns rascunhos que insisto em escrever nos momentos mais improváveis, quando já deitada, no escuro, com o corpo cansado, a cabeça lateja, as idéias em ebulição, uma explosão de pensamentos. Muitos – na verdade, a maioria deles – eu nunca li. Nunca mesmo. Escrevi e pronto. Escrevi e guardei. Escrevi e abandonei. Pra ninguém ler. Alguns podem vir intactos, outros podem vir com outro título, uma frase a mais, uma palavra a menos, posso mudar de opinião, eu posso tudo, pelo menos aqui, eu posso tudo. Posso ter um acesso de raiva contra mim mesmo por ter escrito algo como aquilo e, em seguida, rasgar em cem pedaços, para que vire lixo e deixe de existir.
Esse blog pode virar um mosaico, mosaico feito com fragmentos de azulejos do que é Babi. Um mosaico que eu não consigo bem visualizar, mas sei que ele é colorido, bem colorido. Sou eu. Nua. Crua.

Quem você pensa que é para escrever um prefácio sobre Bárbara?

Eu sou Pedro Fonseca. Para Bárbara, posso ser Peu. Assim como, para mim, ela pode ser Babi. Posso ser Doda, nos dias que ela é Bebeça. Posso ser Pedrinho, na hora que preciso estacionar o carro para ela numa vaga apertada.
Posso ser amigo, posso ser cúmplice, posso ser "cumpadje", no nosso carioquês etílico. Mas sou irmão. Ponto.
Por isso, para a pergunta deste primeiro post no Blog dela, respondo: sou irmão.
O título do Blog, ao contrário do que aqueles que me conhecem podem sustentar (piada-trocadilho com a querida Cabecinha de Jesus), é mais sério. É mais honestidade e menos gracinha. Eu conheço Babita (entendam: é assim que vou chamá-la aqui). E em despeito ao que a expressão "pensar grande" desperta inicialmente, não espere megalomanias, exageros verbais ou hipérboles existenciais dessa pessoa bárbara (minúsculo mesmo, senhor Houaiss).
Babita pensa grande por dentro. No quase invisível mundo dos seus sonhos brilhantes. No escondido poço dos desejos mais simples. Nos choques entre neurônios excitados facilmente pela mínima possibilidade de um sorriso.
Babita pensa grande como poucos. Expressa isso como raros. Vive isso como quase nenhum.
Ela é um exército plantado na fronteira da felicidade. Ela é General que não generaliza. Ela comanda. Ela manda. Bem, ela manda bem. Ela pensa grande porque o mundo dela é proporcional ao que lhe cabe quando os olhos cerram.
Babita me pediu um prefácio e um nome para o seu Blog. Para ser o padrinho do espaço dela. Não, Babita. Eu prefiro ser seu escudo, seu estilingue, seu capacete protetor de sonhos. Porque eu sou seu irmão. E eu não penso que sou. Eu sou. Porque você é Bárbara (caixa alta, senhor Houaiss).