quarta-feira, 7 de outubro de 2009

pensamento do dia.

but if you never try, you'll never know.

terça-feira, 28 de julho de 2009

todo dia.

Eu continuo com dificuldades pra dormir.
Continuo com aquele problema de short memory lost.
Continuo sem conseguir acordar às 6h pra correr.
Continuo bagunçando meu quarto.
Continuo sem ir à praia.
Continuo falando mais do que devia.
Continuo lendo menos do que queria.
Continuo com aquele tique nervoso.
Continuo esquecendo de tudo.
Continuo lendo meu horóscopo pela manhã.
Continuo querendo aprender a tocar violão.
Continuo me enganando com as pessoas.
Continuo esperando.


E continuo sentindo muita saudade do que não vivi.

domingo, 7 de junho de 2009

era uma vez...

Ela não quer mais cena de filme. Cansou dos diálogos incríveis que parecem ter saído do roteiro mais incrível. Cansou dos olhares que parecem ter sido ensaiados pelo diretor espanhol. A expressão no rosto dele, o jeito como ela arruma seu cabelo tentando se esconder daquelas palavras pontiagudas, tudo compondo a mais bela fotografia.
Ela não quer mais o drama mexicano, a emoção que navalha o estômago, o ar que falta aos pulmões. Cansou das declarações-bomba, das confissões de anos acumulados, das promessas de um futuro bonito e distante, dos elogios extremos.
Cansou de ser a atração no jantar com as amigas, a que sempre tem um episódio emocionante pra contar. Cansou dos olhares arregalados e rostos boquiabertos.

Ela que passou a vida sonhando com o bom e velho príncipe encantado, montado em seu esplendoroso cavalo branco, sonhando com um amor igualzinho ao da mocinha e do mocinho da novela das oito, se esqueceu de lembrar que aquilo era faz-de-conta. E agora descobre que as histórias mirabolantes as quais protagoniza hoje, essas sim, são episódios, capítulos, como os de novela. Intensos e curtos, com tempo certo para acabar.

Não. Príncipes encantados não existem. O Marrocos e a Índia não ficam aqui do lado. O mocinho que cortou os dois braços pelo amor da mocinha não existe aqui do lado de fora, no “mundo dos mortais”. Ele não vai romper com a família nem abrir mão da fortuna do pai por sua causa.

Ela, agora, só busca o trivial, nenhum amor intergaláctico. O feijão-com-arroz tem e sempre terá seu valor. Ela só quer o abraço reconfortante no fim do dia, uma boa companhia para seu cinema semanal e solitário, o beijo com gosto de sorvete no domingo à tarde, alguém com quem dividir suas idéias e pensamentos, dos mais corriqueiros aos mais absurdos, alguém para compartilhar suas mais recentes descobertas musicais e sua paixão avassaladora pelo músico de olhos azuis.

Ela quer a paz, em forma de pele e osso. E, se não for pedir muito, que venha acompanhada de um sorriso largo, um olhar sincero e do abraço mais apertado.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

vazio.

Você não podia fazer isso comigo. Você não. Por mais ingênua que eu sei que sou, cresci ouvindo isso. “Você confia demais nas pessoas e não vê maldade em nada!”. Por mais que a gente aprenda a cada dia que decepções são mais freqüentes do que pensamos ou desejamos. Por mais que soe aos meus ouvidos que nada é por acaso, tudo tem um porquê e, no final, tudo isso tenha uma explicação. Mas é que você eu guardava numa bolha, intacto, no meu altar florido e sagrado. Você sempre foi o perfeito, o acima de todas as suspeitas, o homem completo.
A gente tinha um pacto, um combinado pra vida. E eu podia dormir e acordar, todos os dias, tranqüila, segura. Eu precisava e você estava ali, sempre, acalmando a minha pressa e me mostrando que tudo tinha solução. Você estava em todo lugar. Você passou a ocupar os espaços sem que eu percebesse qualquer movimentação, e quando me dei conta, você habitava os sonhos, os porta-retratos, os planos, as confissões, as fantasias, os medos, as alegrias e passou a tomar conta de mim, no sentido de proteger mesmo. E eu passei a te carregar como amuleto, e isso era lindo. De longe, pelo menos, era lindo.
E de repente, agora perto, você não está mais. Insisto em procurar em todo canto, mas nada encontro. Você não está mais no meu quarto novo, no meu dia a dia, no sofá, no meu retorno. Você está apenas na minha saudade. Já procurei nas caixas da mudança, nos meus fins de semana vazios, na minha angústia, na minha busca.
A dor que a sua falta me faz é física. Aperta-me os pulmões e me sufoca. Falta o ar e falta você. Você perto de mim. E a saudade que eu sinto agora é maior do que a saudade da distância e do tempo. É a saudade da ausência.
E junto da dor de saudade tem a dor da decepção. Pensar em você fora do altar que eu construí, do seu trono, do seu espaço intocável, isso dói... Dói porque eu não quero nem admito outro em seu lugar. Você construiu isso comigo, você me mostrou a paz e a serenidade que eu tanto preciso. E agora não é justo simplesmente sumir. Sem nenhuma razão ou explicação.

Saudade de você, do seu abraço, da sua calma, e mais saudade ainda de quem eu sou quando estou com você.

quarta-feira, 4 de março de 2009

a sombra de Amelina

Amanheceu. It’s supposed to be uma terça-feira qualquer. Após suas três sagradas sonecas, Amelina aceitou o sol e junto com ele o calor que invadiam seu quarto violentamente, quase que a pontapés. Espreguiçou-se, sentiu as pontas dos seus pés encostarem o fim da cama enquanto suas mãos empurravam a parede. Levantou. E tirando os 43º matinais, tudo parecia bem... Sensação essa que acabou no exato momento em que entrou em seu banheiro e deu de cara com a sua cara amassada no espelho. O espelho parecia denunciar a noite que passou, o sonho que atrapalhou seu sono, que a fez levantar para um copo d’agua e para que aquele sonho acabasse e evaporasse com o calor que fazia. Em vão. Ao deitar na cama e fechar os olhos novamente, era como se tivessem apertado o “pause”, a imagem continuava ali, congelada. O sono chegava, apertava o “play” e tudo aquilo recomeçava, as imagens, os sons, tudo perfeito, nítido. Podia jurar que até mesmo cheiro tinha aquele sonho.
E ao lembrar de tudo aquilo, Amelina sentiu raiva de si própria, tinha vontade de esmurrar o espelho que refletia a imagem de seu rosto tolo. Pensou que aquilo poderia ser doloroso e no trabalho que daria, espelho quebrado, mão detonada, sangue, hospital, pontos. Não, não parecia uma boa idéia. Sussurrou apenas alguns “auto-xingamentos” e entrou no chuveiro.
Não se perdoava. Depois de tantos meses... Ele finalmente parecia ter sumido dos seus pensamentos, dos seus planos, de suas fantasias. O problema é que ele nunca tinha deixado de habitar seus olhos e seus ouvidos.
- Só pode ter sido pela matéria da turnê do DM. Ou pelas imagens do show dos meninos no terraço da BBC que passavam no jornal da madrugada, pouco antes de adormecer. Foi o que constatou Amelina.
Depois de tanto tempo, ele voltava a ocupar o maior espaço da cama. Julgue-se pela posição em que acordara a menina, naquela manhã. Mais um pouco e Amelina cairia no chão. Ele sempre foi espaçoso, não bastassem seus 1m e milhares de centímetros.
A verdade é que Amelina teve que lidar com a sombra dele, logo ali, do seu lado, durante todo o dia. Brigava com sua presença, tentou, por diversas vezes, se esconder ou simplesmente ignorar aquele velho fantasma, a quem bem conhecia. Tudo em vão. Ele a fez companhia no carro, na volta do trabalho. No elevador. No banho. Na mesa da cozinha, enquanto jantava seu tão desejado e delicioso sanduíche de atum.
E depois de tanto fingir, ou pelo menos, tentar fingir que não se abalava com aquela companhia, depois de fugir dos braços que, por vezes, já foram seu maior refúgio e conforto, depois de tanto resistir à voz e ao charme que lhe faziam sentir borboletas no estômago, Amelina resolveu aceitar aquela visita. Decidiu que não negaria mais a presença do rapaz, abriria a guarda, oferecer-lhe-ia seu melhor sorriso, seu sentimento mais puro, suas palavras mais sinceras, seu coração em uma bandeja. E quem sabe aí, nesse exato momento, como das outras vezes, ele viraria as costas e a deixaria só, em seu mundo cor-de-rosa, de laços e fitas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Bazar, só de sapato.

Porque melhor do que correr feito louca atrás do bazar e ter que pisar no pé de uma e puxar o cabelo de outra para conseguir o último "M" da loja, é estar andando distraída enquanto toma sorvete e canta e dar de cara com aquele vestido espetacular, feito pra você. Sob medida.

Bazar & casar, pegar ou largar! Por Antônio Prata

“Olha o vestidinho wrap dress de jersey, galera! O vestidinho caiu de cem para oitenta e quatro e noventa!” – anunciava o locutor, com aquela animação de FM, no bazar de uma grife famosa. “Oitenta e quatro e noventa! Não dá pra perder, é pegar ou largar!”, ele insistia, e eu, que estava ali só para comprar uma calça jeans, que nem sabia que bazar tinha locutor ou o que diabos seria o tal wrap dress de jersey, me peguei andando, aflito, em direção à arara no fundo do galpão, com medo de estar perdendo aquela incrível oportunidade de compra.

Parei a uns dois metros da balbúrdia, assustado: uma dúzia de mulheres ofegantes arrancava os vestidos das araras e os viravam do avesso, atrás das etiquetas, como se encontrar a letra certa -- P, M ou G – lhes fosse abrir as portas do paraíso (kkkk). Eu não sabia que esse negócio de bazar era tão sério.

Enquanto esperava na fila do caixa -- minha calça jeans pendurada no braço direito, como o pano de prato de um garçom -- me dei conta de que a cena dos vestidos não existia isolada, era uma dessas metonímias que a vida nos apresenta, pequenas amostras com as quais, fazendo uma simples regra de três, conseguimos vislumbrar o X de alguma questão superior. Pois se a balbúrdia dos vestidinhos – “caiu pra R$ 59,90! Loucuuura!” -- pouco me iluminou sobre os mistérios do wrap dress de jersey, acabou sendo muito elucidativa sobre o comportamento de uma parcela das mulheres da minha geração: as moças estão em busca de maridos com a ansiedade furiosa das compradoras do bazar. Mal encontram um homem solteiro, mais ou menos do tamanho e modelo que procuravam, já vão logo olhando a etiqueta, querendo saber se o tecido é de qualidade, se não vai desbotar assim que lavar ou soltar a costura no primeiro aperto.

O que faz com que, dos vinte e cinco para cima, as mulheres olhem os homens encostados no balcão do bar (ou da ponte-aérea, ou da Casa do Pão de Queijo, ou da, ou da, ou da...) como se fossem as últimas peças disponíveis na arara? E por que, mal disseram olá, elas já pensam se ele preferiria um labrador ou um border collie na casa que construirão juntos, depois do nascimento do segundo filho (uma menina)?

Em minhas imprecisas pesquisas, os hormônios aparecem como os maiores vilões, acusados de ser tão impertinentes quanto o cara do microfone, a gritar “os óvulos estão acabando! Os óvulos estão acabando!” nos ouvidos das pobres moças em flor. Minhas caras, culpem o tempo em seu devido tempo. Quem tem trinta anos hoje ainda tem óvulo pra dedéu. Não é preciso correr entre uma arara e outra, nem sofrer quando souber que uma boa peça, que estava dando sopa por aí, caiu nas mãos da concorrência. Mesmo porque, com os avanços da medicina, tem muita mulher com idade para ser avó dando entrada na maternidade.

Se a necessidade biológica não é a força motriz da ansiedade casadoira, o que seria? Carência, pura e simples, aparece em segundo lugar em minhas enquetes. As mulheres consultadas dizem ter síndrome de abstinência, às vezes com delirium tremens se, na tríade dominical DVD-Pipoca-Namorado, o terceiro elemento falta por mais de quatro semanas. Será que é isso? O medo de ficarem sozinhas as lança atrás de um projeto de longo prazo, envolvendo damas de honra, FGTS, babás no fim de semana, contrato judicial e idas freqüentes à Alô bebê?

Curioso é que essas mulheres são as filhas de 68, das mães que queimaram soutiens e de peito aberto, literalmente, foram atrás de suas independências. Então as meninas que nasceram supostamente libertas dos grilhões da falocracia chegam à maioridade e, em vez de se ajoelharem diante de uma foto de Simone de Beauvoir, acendem velas para Branca de Neve?

Não estou falando do desejo de se apaixonar, de viver uma história arrebatadora, de ter as pernas trêmulas e a voz gaga quando o cara surge. O que vejo, no fundo dos olhos de algumas mulheres, é muito mais o desejo de encontrar alguém para dividir um título familiar do Clube Pinheiros do que para tomar champanhe em Paris, e acho isso triste. Porque o título familiar, as idas à Alô bebê e a união dos FGTSs para comprarem uma casa juntos, onde crianças aprenderão a andar embaixo de uma jabuticabeira e ganharão um cachorrinho (labrador ou border collie?) só pode dar certo – na visão desse ignorante, que nem sabe o que é um vestidinho wrap dress de jersei, que também quer ser feliz com uma mulher e sofre quando está sozinho, não só aos domingos – se for a conseqüência inevitável do amor arrebatador, das pernas trêmulas, do desejo incontrolável e recorrente de tomar champanhe em Paris. (Ou Kaiser quente em Jundiaí, que seja, desde que com ele, desde que com ela).

O amor e o tesão são forças por demais poderosas – e, no entanto, delicadas – para serem trocadas pela serenidade de uma jabuticabeira. Viva Dionísio! Abaixo a planilha Excel! Eu vejo por aí os casais precocemente infelizes, que nasceram da fuga da solidão, e quase não acredito. Quando tivermos netos poderemos aceitar que o companheirismo tenha brotado ali onde antes crescia o desejo. Não agora. Esqueçam o locutor. Não comprem na promoção.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Lá vem o sol.

um novo ano acaba de nascer.
junto com ele, uma nova Babi também.


Um 2009 bem feliz, pra mim e pra vc.