quinta-feira, 6 de novembro de 2008

“Abre as cortinas pra mim que eu não me escondo de ninguém...”

Eu fiz um comentário baixinho, quase que só pra mim, da vontade de ter um blog. No mesmo dia, ganhei esse de presente. Fica bem difícil escrever o primeiro post depois desse prefácio. Bem difícil. Primeiro porque quem escreve é Pedrinho, Peu, Doda, meu cumpadje. E isso, por si só, já me engasga lindamente. Segundo porque ele, o escritor, é um dos redatores mais incríveis que eu conheço, é um criativo (é assim que vocês chamam nesse meio publicitário, né?!) sem igual, na verdade ele é uma agência inteira (tudo junto numa cabeça só), é um músico de mão cheia, um poeta de primeira, um amigo pra qualquer hora e circunstância.

(*nota: Eu ainda não consegui digerir esse prefácio, por isso ainda não consigo comentar sobre ele. Eu só sei que é confortante demais ter amigos assim, que colhem as flores mais bonitas do campo e nos acariciam, numa manhã ensolarada de quinta-feira, quando no nosso jardim, o colorido não se faz presente há algum tempo. Obrigada pelas palavras, Peu.)

Essa não tinha sido a primeira vez que me deu vontade de ter um blog. Ela já havia me rondado algumas vezes. Mas aí, durava um dia ou dois e logo depois passava. Dava preguiça, esquecia, faltava tempo, disposição.
Depois, quando a vontade aparecia de novo, eu me perguntava: blog para escrever o quê? Falar do quê? De mim? Dos outros? Contar histórias? Talvez aquelas que as pessoas dizem só acontecer comigo.
E esses dias, revendo uma entrevista do Jô com Lenine, lembrei de algo que esse conterrâneo falou e que ficou ecoando no meu ouvido por algum tempo. Em determinado momento, ele contou pro Jô que diante de uma situação que lhe impunha dúvida do fazer ou não, ele sempre se perguntava: “Por que não?!”
E é respondendo essa mesma pergunta que eu inauguro esse blog. Por que não?! A primeira coisa que me vem à cabeça é pensar: audácia pura a minha! Eu não sou escritora, redatora, poeta, nada disso. Não esperem ler, aqui, belos textos, construídos impecavelmente por uma alquimista das palavras. Essa arte eu deixo pra quem a faz de modo irretocável e perfeito, pessoas amigas que eu admiro e das quais sou leitora assídua (dessas pessoas vocês, eventualmente, “ouvirão” falar por aqui, pois são inspirações, e eu as contemplo, por horas, como quem contempla a Mona Lisa no Louvre, pela primeira vez).
Eu não sei quanto tempo de vida esse blog terá, nem a freqüência com que eu vou escrever, não sei se alguém vai perder tempo lendo e muito menos se vão gostar.
Eu também não sei sobre o que vou escrever, mas isso pouco importa. O espaço aqui vai servir de terapia, minhas sessões de terapia. Só que sem hora nem lugar marcado. Declarações, desabafos, minhas histórias, as histórias dos outros, registros sobre tudo o que me toca, registros sobre o que sou, de onde eu vim e pra onde eu vou, não sei. Vou abrir a pasta esquecida do meu computador, vou abrir minhas gavetas e resgatar alguns rascunhos que insisto em escrever nos momentos mais improváveis, quando já deitada, no escuro, com o corpo cansado, a cabeça lateja, as idéias em ebulição, uma explosão de pensamentos. Muitos – na verdade, a maioria deles – eu nunca li. Nunca mesmo. Escrevi e pronto. Escrevi e guardei. Escrevi e abandonei. Pra ninguém ler. Alguns podem vir intactos, outros podem vir com outro título, uma frase a mais, uma palavra a menos, posso mudar de opinião, eu posso tudo, pelo menos aqui, eu posso tudo. Posso ter um acesso de raiva contra mim mesmo por ter escrito algo como aquilo e, em seguida, rasgar em cem pedaços, para que vire lixo e deixe de existir.
Esse blog pode virar um mosaico, mosaico feito com fragmentos de azulejos do que é Babi. Um mosaico que eu não consigo bem visualizar, mas sei que ele é colorido, bem colorido. Sou eu. Nua. Crua.

7 comentários:

Rafael Moreno disse...

se escondeu atrás de um título de música, baby, e de um texto que é uma defesa. tem que escrever porque sente vontade =) e eu vou ler sempre que tiver coisa nova, por vontade também.

e olha que honra, to sendo o primeiro em outra coisa: comentar o teu blog.

beijo!

::: para ler cantando ::: disse...

"Por que não?".
Vamos espalhar em postes, colar post-its na geladeira, falar na Kombi do circo?
Amo. Em dobro.
P.

Unknown disse...

"Deixa, deixa, deixa, eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar..."

Bela Malta disse...

CARACA! Que prefácio é esse?
Bombástico!!!

::: para ler cantando ::: disse...

Eu nunca sei quando Bombástico é muito bom ou muito ruim. Ajuda aê, Bela. Besos.

Bela Malta disse...

Bombástico pode ser muita coisa...
nesse caso aí, foi como uma bomba, impactante.

Anônimo disse...

Babi,
mais do que colocar para fora, vc quer dividir! Então, manda!

Bjão do tamanho da Marquês de Abrantes, 185!!!