Música boa pra mim é hipnose. É o mais violento dos alucinógenos. Eu sinto. Entra direto na veia, e vai se espalhando, toma conta do meu corpo inteiro. Os pés ficam dormentes, depois aquela dormência vai tomando conta da alma. E é aí que a viagem começa.
A música tem o poder de me fazer viajar. Para, absolutamente, qualquer lugar que eu queira. O meu exército azul conquista qualquer país do tabuleiro. Eu dou a volta ao mundo, sem sair da minha cama.
A música tem o poder de me fazer sentir. Sentir, sentir, sentir. O toque, a imagem, o cheiro, o gosto, o som. Tudo.
Posso sentir o gosto do strogonoff de Voinha e do sorvete de doce de leite preferido. Posso sentir o cheiro específico da casa de Garanhuns ou daquele perfume bom do primeiro namorado. Posso sentir a onda do mar de Tamandaré batendo na barriga enquanto caminho em direção ao barco de Voinho. Posso ouvir o barulho do toque pro recreio ou a voz de Bernardo, falando meu nome inteiro enquanto arrota (risos, muitos risos). Posso ver meus pais dançando e gargalhando na sala, depois de quatro garrafas de vinho e algumas declarações de amor (pra quem estiver por perto, num raio de 2m de distância). *Essa cena, particularmente, eu levo sempre no bolso, que é pra me fazer sorrir em caso de emergência.
Os primeiros acordes de “where the streets have no name” me fazem ter a mais absoluta certeza de que eu estou voando. Alto.
Yann Tiersen me teletransporta diretamente pro carrossel em frente ao Sacré-Coeur. E durante alguns minutos, eu sou Amélie.
Com o “Grande Encontro” eu sinto o cheiro de churrasco na varanda. Ouço as vozes dos meus padrinhos.
Quando eu escuto The Corrs, dou aquele abraço triplo em Bela e Pipo.
“Viva la Vida” de Coldplay me faz acreditar que eu posso tudo, que o mundo inteiro cabe bem na palma da minha mão.
O bom e velho Sinatra me deixa elegante. Impecável, eu diria. Linda e phyna, num “valentino” deslumbrante, taça de veuve na mão.
Jack Johnson canta o cheiro do mar e, de repente, meus pés estão fincados na areia fofa.
Só de ouvir a voz do Cerati, Soda Stereo, volto para Bs. As. e tomo um mate com Gracielita.
Chico desafia a máxima “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço” e coloca a minha mãe e o meu pai, inteiros, bem dentro de mim.
Madredeus passeia comigo no “pumár dais laranjaeiras”, em Portugal. Mesmo sem eu nunca ter pisado nas terras de Cabral.
“Enjoy the silence” me leva logo ali, aqui perto...
Ok, ok, essa conversa não tem fim.
Música é sonho.
A música tem o poder de me fazer respirar. Suspirar. Reviver. Viver. Mais leve e mais feliz. Sempre.
Mas hoje lembrei de uma, em especial. Uma música que me traz de volta a infância e tudo o que há de mais bonito. Ela sempre me faz viajar pra um lugar lindo. E eu não estou falando da Áustria. Essa música me põe no colo do meu pai.
http://br.youtube.com/watch?v=Ye7wGOUG8NE
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2 comentários:
Ler vc, minha bebeça... tem me feito voar... pra paulicéia desvairada e ouvir a tua risada gostosa.
Abraço em Bela e Pipo foi sacanagem com meu coraçãozinho.
Que lindo, Babita.
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